l'essentiel est invisible pour les yeux





Passo pelas ruas, como uma rotina, não noto nada ao meu redor. O velho costume de não prestar atenção nas coisas rotineiras, de achar que sempre é preciso ser surpreendido para que consiga se prender a algo.
O quão bonito é um olhar? O quão bonito são as variações das cores nos seus olhos, o brilho de estar emocionado. Aquele olhar que chora pra dentro, esperando que não notem que se chora, e aquele que ri para fora, com a intenção de passar para o exterior que você está sempre assim, sempre feliz. Mas o olhar não mente, quando começa a piscar mais rápido, ficar mais apertadinho, e, sobretudo, quando se enche de lágrima, falta felicidade, ou talvez haja uma bomba de felicidade.
O quão significante é um sorriso? O sorriso que mostra a verdadeira sensação de conforto de quem o vê, a sensação de dever cumprido. Luta-se muito para consegui-lo, mas quando se consegue, derrete seu coração, que antes achava que era de pedra, agora já não é.
Corações de pedra não sentem, não percebem, não notam e não se emocionam. Em compensação, corações de pedra não se magoam, não choram, é quase que um estado vegetativo consequente de uma vida vivida incorretamente, ou melhor, de uma vida não vivida, de uma morte, de uma morte por não perceber o quão bonito é um olhar, e o quão significante é um sorriso, até mesmo das pessoas que estão por trás da janela de vidro, as quais você nunca viu, nem nunca mais verá. Observe-as, sinta-as, emocione-se, imagine-as com o coração. Pois as coisas mais bonitas são invisíveis aos olhos.